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Mostrando postagens com o rótulo Livros

Adquira já nosso primeiro livro: "Duvidar de tudo - ensaios de filosofia e psicanálise"

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Mais informações sobre a obra e o link para garantir seu volume se encontram no link abaixo:  https://www.filosofiaepsicanalise.org/p/livros.html

O demônio venceu em “O exorcista” – comentário sobre o livro de William Peter Blatty

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Livros são sempre mais interessantes que suas adaptações em filmes, diz o clichê. Confirmei esta regra mais uma vez ao ler a obra O exorcista , de William Peter Blatty, e compará-lo com a película agora disponível também em versão Blu-ray. A obra se desenvolve num ritmo gradual e cativante. De fato, fazia tempos que não terminava um livro tão rápido. Logo nas páginas iniciais já presenciamos as primeiras manifestações sobrenaturais, o que prende nossa atenção enquanto a trama é cuidadosamente elaborada. Blatty se esforça para que a história pareça razoável. Quem acreditaria, afinal, em exorcismo em pleno século XX? Certamente não a ateia Chris McNeil, mãe da garota possuída, e nem mesmo o padre psiquiatra que participará do exorcismo, Demien Karras. Para fazer um exorcismo seria preciso, antes de tudo, pegar uma máquina do tempo e voltar para o século XVI, afirma o cético religioso. Como a história se passa, todavia, no século XX, é a ciência quem deve explicar o que está acontecendo c...

Livro para download: O que resta das jornadas de junho

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Acaba de ser publicado o livro O que resta das jornadas de junho , com o qual o autor deste blog contribuiu escrevendo um dos capítulos. A obra pode ser baixada gratuitamente no site da editora , ou comprada em sua versão impressa. Historicamente, a Filosofia no Brasil costuma seguir padrões e métodos ditados pelos centros intelectuais que possuem tradições filosóficas próprias, como Alemanha, França, Inglaterra e Estados Unidos. No entanto, há vários anos assistimos no país à discussão sobre a necessidade de uma língua filosófica própria, que permita um amplo e consistente debate de ideias. Apesar dos esforços contínuos para consolidar uma tradição de pensamento (e esta série da Editora Fi é apenas um dos exemplos), ainda falta à Filosofia Brasileira uma maior atenção aos grandes temas nacionais. Precisamos elaborar novos conceitos para pensar problemas que não podem ser tratados de forma satisfatória pelas teorias disponíveis, tais como o que ora nos reúne e convida a pensar: ...

Homo Faber, de Max Frisch - uma breve resenha

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Homo Faber , de Max Frisch, é um dos livros mais importantes e mais lidos do século XX. Lançada em 1957, a obra é um relato em primeiro pessoa da história de Walter Faber, um engenheiro extremamente racional, cuja visão de mundo científica e tecnológica não consegue acomodar o acaso, o "irracional", ou seja, aquilo que não pode ser calculado. O que está colocado como pano de fundo é a própria identidade do homem moderno. Ao partir em uma viagem de negócios para a América Latina, uma série de acontecimentos e decisões do próprio Walter fraturam sua visão de mundo reificada. Nela, Walter conhece um homem parecido com um antigo amigo da época de faculdade, descobrindo que este homem é, de fato, irmão deste. A partir deste primeiro incidente ou "casualidade", o romance se desdobra em duas direções: para o futuro, com acontecimentos altamente improváveis, cuja probabilidade estatística seria mínima (talvez próxima de zero), e também para o passado, à maneira ...

Problemas de tradução da obra "Idealismo Alemão", de Will Dudley (Editora Vozes)

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Idealismo Alemão , de Will Dudley (Editora Vozes), é uma das melhores - entre as raras - introduções ao Idealismo Alemão. O chamado idealismo alemão se constitui como um dos períodos mais difíceis da história da filosofia, e compreende filósofos reconhecidamente complicados como Kant, Fichte, Schelling e Hegel. A obra de Dudley, no entanto, consegue apresentar de forma clara os traços gerais deste período sem cair na excessiva simplificação, ao mesmo tempo em que esclarece diversas incompreensões generalizadas sobre importantes aspectos das obras desses filósofos, como, por exemplo, ao explicar que a tríade "tese-antítese-síntese" não corresponde ao pensamento de Hegel, mas sim ao de Fichte. É uma obra que I highly recommend . No entanto, a tradução dessa obra, cujo original é em inglês, apresenta sérios problemas, sejam eles de ordem conceitual ou apenas de revisão. E isso de tal modo que, diante de minhas primeiras suspeitas de erros grosseiros de tradução, fui obrig...

Um problema de tradução da Martin Claret - O Anticristo, de Nietzsche

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Semestre passado estudei O Anticristo , de Nietzsche, na universidade. Acompanhei o curso com as edições que eu já tinha da obra: uma em português, da editora Martin Claret, e o original em alemão. Ao chegar ao aforismo 7 fiquei estarrecido com quantos trechos simplesmente estavam  faltando na edição brasileira (sublinhei de vermelho, na foto abaixo da edição alemã, os trechos que não foram traduzidos )!   Primeiramente eu pensei que poderia ser algum problema de ordem meramente técnica da edição, mas não dá pra explicar por que a tradução "salta" de um ponto para outro assim. E o trecho assinalado com uma interrogação indica que no português há uma tradução estranha,  a qual parece mais um "resumo" do que uma tradução propriamente dita.

Albert Camus: se eu me matasse, descobriria então que não tenho amigos

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"Como sei que não tenho amigos? É muito simples: eu o descobri no dia em que pensei em matar-me para lhes pregar uma boa peça, para puni-los, de certa forma. Mas punir quem? Alguns ficariam surpreendidos; ninguém se sentiria punido. Compreendi que não tinha amigos. Além disso, mesmo se os tivesse, não adiantaria nada. Se eu pudesse suicidar-me e ver em seguida a cara deles, então, sim, valeria a pena." (Albert Camus, "A queda")

Peça Radiofônica: "A árvore de Natal na casa do Cristo", de Dostoiévski

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No post anterior compartilhamos "A árvore de Natal na casa do Cristo", um pequeno escrito de Dostoiévski carregado de grande sensibilidade. Dando sequência ao surto dostoievskiano que acometeu hoje este blogueiro, compartilho novamente a mesma obra, mas agora em uma versão radiofônica.  Você pode ouvi-la usando o controle ao final desta página ou então fazendo o download do Mp3 (14,6MB) no link mais abaixo. O tempo de duração é 21:16 minutos. P.S.: Se você ainda não leu a história, sugiro que faça isso antes. Informações extraídas do site dos autores: A árvore de Natal da casa do Cristo [ Uma Leitura Radiofônica do conto de Fiódor Dostoiévski  - 1997 ]. Posso dizer que o interesse maior da peça está numa idéia simples e um tanto arriscada: intercalar a narrativa original de Dostoiévski com depoimentos de meninos de rua da Praça da Sé. Sinceramente, acho o resultado alcançado muito interessante:  uma fusão intuitiva e experimental de ficção e do...

Dostoiévski: A árvore de Natal na casa do Cristo

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Abaixo um pequeno conto de Dostoiévski, tão curto quanto intenso. Havia num porão uma criança, um garotinho de seis anos de idade, ou menos ainda. Esse garotinho despertou certa manhã no porão úmido e frio. Tiritava, envolto nos seus pobres andrajos. Seu hálito formava, ao se exalar, uma espécie de vapor branco, e ele, sentado num canto em cima de um baú, por desfastio, ocupava-se em soprar esse vapor da boca, pelo prazer de vê-lo se esvolar. Mas bem que gostaria de comer alguma coisa. Diversas vezes, durante a manhã, tinha se aproximado do catre, onde num colchão de palha, chato como um pastelão, com um saco sob a cabeça à guisa de almofada, jazia a mãe enferma. Como se encontrava ela nesse lugar? Provavelmente tinha vindo de outra cidade e subitamente caíra doente. A patroa que alugava o porão tinha sido presa na antevéspera pela polícia; os locatários tinham se dispersado para se aproveitarem também da festa, e o único tapeceiro que tinha ficado cozinhava a bebedeira há dois...

"Gente pobre", o primeiro livro de Dostoiévski

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Sou suspeito para falar de Dostoiévski. Este é o autor que mais leio, o que mais prende minha atenção e com o qual mais me identifico. Antes de ler Gente Pobre, contudo, estava um pouco apreensivo: o que esperar do primeiro livro de Dostoiévski, escrito quando o autor contava apenas 24 anos? Seria esta obra apenas uma curiosidade, uma peça histórica, digna de ser relançada apenas devido ao nome que o autor viria a construir posteriormente? Não, nada disso. O romance Gente pobre já é o Dostoiévski que conhecemos. Vários dos traços de estilo e dos caracteres que encontramos em obras posteriores já estão presentes ali, não deixando dúvidas de que o que temos nesta obra já é aquele Dostoiévski que no futuro consolidaria seu nome no hall dos grandes escritores de todos os tempos. Gente Pobre pode nos levar das lágrimas de indignação às gargalhadas. Construída como uma crítica social, ela revela, através de uma troca de cartas entre seus protagonistas - uma jovem órfã, Várvara ...

O mito de Sísifo, de Albert Camus - o suicídio é legítimo, já que não há sentido para a vida?

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Compartilho abaixo alguns trechos dessa obra de Albert Camus, que li recentemente. São, respectivamente, um parágrafo do início do texto e o seu último capítulo. Uma das questões que ele tenta responder é: mesmo que a vida não tenha sentido, o suicídio é legítimo? Considerando que não há transcendência, por que ainda continuar vivo? Ele faz sua dissertação alertando o leitor de que este é o seu pressuposto: que não há valores absolutos, que não há transcendência. Se eles existem ou não, isso é outra discussão. Ele vai tomar o absurdo como ponto de partida, e não como conclusão. O absurdo e o suicídio Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, aparece em seguida. São jogos. É preciso, antes de tudo, responder. E se é verdade, como pretende Nietzsche, que um filósofo, para...

Meu encontro com Marx e Freud, de Erich Fromm

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Meu objetivo inicial com este livro era aprofundar meus estudos na interseção entre marxismo e psicanálise, mas ele só nos permite fazê-lo superficialmente. Até aí, tudo bem, pois não é este mesmo o seu objetivo. Esta obra é uma biografia intelectual de seu autor, e não uma exposição do freudo-marxismo. Mas o grande problema que encontrei aqui é que Erich Fromm comete o mesmo erro da maioria dos marxólogos acadêmicos, que despem o marxismo de seu caráter revolucionário para deixa-lo mais palatável para a burguesia. Ele mesmo afirma, nesta obra, que não é engajado politicamente, ou seja, é apenas um "marxista acadêmico". E isso é uma contradição, pois não é possível ser marxista e não estar politicamente engajado. Lembremo-nos da 11ª tese sobre Feuerbach, em que Marx afirma que os filósofos até hoje se limitaram a interpretar o mundo, mas o que importa, porém, é transformá-lo. A vida do próprio Karl Marx foi de engajamento político revolucionário. Assim, Fromm é ...

Bernard Williams e os problemas da moral religiosa

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Uma das principais dificuldades da discussão moral hoje, no contexto de um mundo relativista, líquido, pós-moderno, reside no problema da fundamentação da moral. Se uma moral é fundamentada numa religião particular, mas um outro grupo não compartilha dessa crença, essa doutrina não tem nenhuma força sobre essa outra comunidade. As doutrinas morais religiosas, portanto, não possuem um caráter tão "absoluto" quanto seus adeptos julgam ter, neste aspecto. Vemos isso na prática em discussões sobre o aborto. Pessoas religiosas, por comungarem de determinadas concepções sobre o tema, conflitam-se na arena pública com diversos outros setores da sociedade que não compartilham dessas crenças oriundas de seus livros sagrados. Se podemos fazer uma categorização ampla e simplificada das diversas perspectivas morais, os dois principais grupos seriam 1) daquelas doutrinas que recorrem a livros sagrados como fundamento, e 2) daquelas que não inserem Deus na discussão, buscando fun...

Freud e os atos falhos: a psicopatologia da vida cotidiana

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As parapraxias, ou atos falhos ( Fehlleistungen ), são manifestações de intenções perturbadoras do inconsciente em nossa atividade consciente. Ocorrem geralmente para evitar o desprazer, e são sempre sintomas de algum tipo de conflito psíquico, atuando como uma espécie de compromisso. De certo modo, podemos dizer que um ato falho é também um ato bem-sucedido, pois é quando um desejo inconsciente consegue alcançar seu objetivo de forma manifesta. No original alemão, cada ato falho é um verbo que começa com o prefixo “ver”: Versprechen, Verschreiben, Verlesen, Verhören, Vergessen, Verlegen, Verlieren . Este prefixo costuma indicar um erro na execução da ação, e embora isso não seja evidente em outros idiomas, é muito claro na língua alemã. Todos estes fenômenos devem ser considerados como tendo algum significado psíquico apenas quando não há um distúrbio físico ou neurológico envolvido. O estudo dos atos falhos parece ser algo de menor importância. Afinal de contas, por que razão uma...

O idiota, de Dostoievski, e Policarpo Quaresma, de Lima Barreto

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Este artigo, de autoria do jornalista Renato Pompeu , faz uma comparação entre dois protagonistas de dois dos meus livros favoritos: o príncipe Michhkin, do livro "O idiota", de Dostoievski, e Policarpo Quaresma, do livro "O triste fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto. “Policarpo” seria um “Idiota”? Renato Pompeu Quis o acaso que os palcos paulistanos reunissem os romances “O Idiota”, do russo Fiodor Dostoievski (Fiodor é a forma russa de Teodoro), escrito em 1867-69, e “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do carioca Lima Barreto, publicado quase meio século depois, em 1911. Mas o mais estranho é que os dois heróis, o “idiota” príncipe Michhkin e o “patriota” Quaresma têm muito em comum. A ponto que serviria para o romance russo a epígrafe do romance brasileiro: “O grande inconveniente da vida real e que a torna insuportável para o homem superior é que, se para ela são transportados os princípios do ideal, as qualidades se tornam defeitos, tanto que muito freq...

Psicologia de massas do fascismo, de Wilhelm Reich - uma resenha

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A importância do estudo do fascismo não é meramente histórica. A definição de fascismo dada pelo psicanalista marxista Wilhelm Reich, como "a expressão da estrutura irracional do caráter do homem médio, cujas necessidades biológicas primárias e cujos impulsos têm sido reprimidos há milênios", deixa claro que o fascismo é um fenômeno atual, quer apresente-se de forma aberta ou apenas latente. Ou seja, aquele fascismo de ontem, destruído na II Guerra Mundial pelos comunistas da URSS, é o mesmo fascismo de hoje, e tem todas as possibilidades de se reorganizar como outrora sob Hitler. Daí a importância de compreendê-lo, de dominá-lo teoricamente, para então melhor combatê-lo. É isso o que Reich afirma: "O fascismo só pode ser vencido se for enfrentado de modo objetivo e prático, com um conhecimento bem fundamentado dos problemas da vida." A abordagem de Reich sobre o fascismo é riquíssima, se configurando como uma genial síntese entre Marx e Freud, entre marxismo e ...