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Mostrando postagens com o rótulo Religião

A aposta de Pascal: Deus existe ou não?

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Blaise Pascal (1623-1662) foi um filósofo e matemático francês, conhecido também por suas descobertas sobre o cálculo infinitesimal e o cálculo de probabilidades. Dotado de rara inteligência, Pascal inventou a primeira máquina de calcular logo aos dezenove anos de idade, de modo que pode ser considerado um dos pais da computação moderna. Há inclusive uma linguagem de programação que leva o seu nome. Forte crítico do racionalismo cartesiano, o também físico e literato afirmava os limites da razão e a necessidade de ir além através da fé e de outras faculdades humanas, e por isso sua célebre frase: “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Depois de se converter ao cristianismo, escreveu sua famosa obra Pensamentos , publicada apenas postumamente. Até mesmo Friedrich Nietzsche o cita em O anticristo , lamentando que a religião tenha envenenado tão grande intelecto. A aposta de Pascal A aposta de Pascal é um argumento pragmático que busca decidir qual a melhor escolha a fazer...

Os tipos de ateísmo, ou as variedades da descrença

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Édipo mata seu pai (Joseph Blanc, Le meurtre de Laïus, 1867) Ouça em nosso podcast O ateísmo é popularmente compreendido como uma mera falta de crença em Deus. Esta definição, embora capte algo algo de verdadeiro, peca por sua amplitude e pouca utilidade. Definir significa delimitar, e quanto mais ampla uma definição, tanto pior. O ateísmo é apenas uma das formas de descrença em Deus. Cada uma dessas, por sua vez, possui ainda  mais subclassificações, de tal modo que é possível ser um descrente sem ser um ateu. Pode ser o caso de um indivíduo não crer em Deus, por exemplo, pelo fato de ser agnóstico. A descrença inclui, de forma geral, as seguintes modalidades: 1) Suspensão agnóstica da crença de que Deus existe ou não existe. É a posição de que a razão não é capaz de decidir sobre este assunto, resultado, por exemplo, da crítica kantiana. Em sua Crítica da razão pura , Immanuel Kant demonstrou por que os argumentos favor da existência de Deus não funcionam, e também por qual motiv...

A religião é o ópio do povo: o contexto da polêmica afirmação de Marx

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Uma das afirmações mais conhecidas - e também mais polêmicas – de Marx é a de que a religião é “o ópio do povo”. Para compreendermos o que Marx queria dizer com isso, devemos colocar a citação em seu contexto. O contexto da afirmação Esta frase aparece nos primeiros parágrafos da introdução à Crítica da filosofia do direito de Hegel , escrita entre o fim de 1843 e início de 1844. Marx começa este texto afirmando que, na Alemanha, a crítica da religião já estava concluída, e que esta é o pressuposto de toda crítica.  Por que Marx afirma que a crítica já estava concluída? Quem a havia levado a cabo? Ele tem em mente  aqui Ludwig Feuerbach, que havia lançado três anos antes, em 1841, a obra A essência do cristianismo . O objetivo de Feuerbach era mostrar que a teologia é uma antropologia invertida – que o conteúdo da religião sempre dizia respeito ao próprio homem. Podemos perceber a influência de Feuerbach logo no segundo parágrafo da introdução, quando Marx diz, por exemplo, qu...

Tomás de Aquino e o argumento cosmológico: a terceira via

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Quão racional é a sua crença em Deus? Esta pergunta pode parecer estranha, já que crer ou não em Deus, para o senso comum, é apenas uma questão de fé, não havendo espaço para a razão ao se falar sobre tal tema. A filosofia nos mostra, todavia, que isso não é verdade, e que tanto a fé como o ateísmo podem ser racionalmente justificados. Argumentos para provar a existência de Deus, ou de uma primeira causa do universo, existem pelo menos desde Aristóteles. Há no Ocidente uma tradição chamada teologia natural , ou religião natural , a qual afirma que o conhecimento de Deus pode ser obtido através de processos naturais de raciocínio, sem envolver a revelação (como a Bíblia, por exemplo). Por vezes compreendida como uma área da própria filosofia, a teologia natural foi importante o suficiente para ser criticada por David Hume, em sua obra Diálogos sobre a religião natural , e também por Immanuel Kant em sua Crítica da razão pura . Apresentaremos a seguir um argumento a favor da existência d...

O anticristo, de Nietzsche - um breve resumo

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O anticristo , de Friedrich Nietzsche, é uma das obras mais polêmicas e provocativas da história da filosofia. Redigido no verão e outono de 1888, com o filósofo já afetado pela doença que o levaria à morte, o texto teve sua primeira impressão em 1895, com o subtítulo  Versuch einer Kritik des Christenthums (" Tentativa de uma crítica do cristianismo") . Segundo Walter A. Kaufmann, após completar  Crepúsculo dos ídolos , Nietzsche abandonou os planos de escrever uma obra  intitulada Vontade de potência , decidindo por escrever um livro dividido em quatro partes, chamado  Revaloração de todos os valores . A primeira parte foi concluída e recebeu o nome de O anticristo . O título  Der Antichrist  é ambíguo, pois o termo "Christ", em alemão, significa tanto "Cristo" quanto "cristão". Num primeiro momento, "Antichrist" evoca a idéia do anticristo do Apocalipse, alcançando o objetivo de Nietzsche de ser tão provocativo quanto possív...

E se organizassem exposições com capas de discos de metal e hard rock?

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Por AD Luna ad.luna@gmail.com Fonte: www.interdependente.com Nesses tempos de obscurantismo, fundamentalismos e censura a obras de arte, uma coisa intrigante tem acontecido: a adesão de inúmeros fãs de metal e hard rock a ações conservadoras e reacionárias. Seja em comentários a postagens em redes sociais, em sites especializados ou mesmo em conversas cara a cara, é possível ler ou escutar discursos que tratam da "defesa da família, da moral, dos bons costumes e da religião" (cristã, principalmente). A situação é curiosa porque, dentro do universo dos estilos citados, não faltam exemplos de expressões de ideias que questionam, ridicularizam, provocam e entram em choque com os valores defendidos por conservadores. E se neste momento centros culturais e museus, no Brasil, resolvessem realizar exposições com capas polêmicas de discos de metal e hard rock? Como reagiriam os "cidadãos de bem" das guitarras distorcidas, sendo que muitos dos grupos citad...